Apneia Obstrutiva do Sono (AOS)está associada com dano no miocárdio independente do controle da pressão arterial em Hipertensão

Fonte: O artigo foi publicado no Journal of Clinical Sleep Medicine volume 14(11) em novembro de 2018.

Um total de 98 participantes hipertensos com 3 ou mais medicamentos e com idade média de 51 anos e IMC de 30 foram recrutados. Desses 51 (52%) foram diagnosticados através de polissonografia com AOS grave e não tinham diagnóstico prévio. Foram realizados vários exames de sangue para avaliação clínica e cardiológica.

Verificou-se com o estudo que AOS severa e não identificada era comum em pacientes com hipertensão de difícil controle, e a gravidade da AOS foi associada com dano no miocárdio, independentemente do controle da pressão arterial com medicações.


Apnéia do Sono aumenta o risco de doença de Alzheimer

Fonte: American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine
10/11/12017

Um novo estudo (Obstructive Sleep Apnea Severity Affects Amyloid Burden in Cognitively Normal Elderly: A Longitudinal Study) sugere que a apneia obstrutiva do sono (AOS) pode ter um papel na acumulação de amiloide no cérebro, aumentando o risco de doença de Alzheimer (DA). Nesse estudo longitudinal de adultos idosos cognitivamente normais, os biomarcadores de aumento da carga amiloide aumentaram ao longo do tempo em pacientes com AOS em proporção à gravidade da AOS.

Os pesquisadores investigaram as associações transversais e longitudinais entre a gravidade da AOS e as alterações no líquido cefalorraquidiano (LCR) e nos biomarcadores de tomografia por emissão de pósitrons do composto B de Pittsburgh (PiB-PET) de DA em 208 adultos saudáveis cognitivamente normais de 55 a 90 anos.  Noventa e sete (46,6%) participantes estavam livres de SAOS (índice de apneia-hipopnéia [AHI] <5) e foram considerados controles saudáveis; 76 (36,5%) tiveram AOS leve (AHI, 5 a 14,9) e 35 (16,8%) tiveram AOS moderada a grave (AHI ≥ 15). A gravidade da AOS basal foi associada com diminuições longitudinais de 2 anos no LCR Aβ42 e uma tendência de aumento na captação cortical de PiB-PET - mudanças potencialmente consistentes com o aumento da carga amiloide cerebral, que também foram observados em um subconjunto de indivíduos submetidos a estudo de PET amiloide.

Esses achados sugerem que AOS “pode esempenhar um papel na deposição amilóide no final da vida", escrevem os pesquisadores. Eles observam que a magnitude dessas mudanças foi maior do que a predita pela presença do alelo ε4 da apolipoproteína sozinho, que até o momento é considerado o fator de risco mais importante para a DA esporádica.

Embora a gravidade da AOS tenha sido associada a aumentos na carga de amilóide cerebral, não foi preditivo do declínio cognitivo ao longo do tempo. "Isso não é completamente surpreendente", escrevem os autores, dado que a relação entre carga amilóide e cognição provavelmente não é linear e depende de fatores adicionais como a patologia tau e as mudanças microvasculares ".

Vários estudos transversais ou epidemiológicos sugeriram que os distúrbios do sono poderiam contribuir para depósitos amilóides e declínio cognitivo acelerado em pessoas com risco para DA. Mas foi desafiador verificar a causalidade dessas associações porque AOS e DA compartilham fatores de risco e geralmente coexistem.

Este estudo utiliza medidas objetivas do sono (monitoramento domiciliar para AOS e actigrafia) e é longitudinal (mede biomarcadores de DA ao longo do tempo) por isso é um dos primeiros a mostrar em seres humanos que, pelo menos em indivíduos cognitivamente normais, é o sono que pode estar dirigindo a deposição amiloide e não vice-versa. Portanto, o tratamento de AOS pode atrasar a progressão para deficiência cognitiva leve (MCI) ou demência em idosos.

O estudo está bem feito e, do ponto de vista clínico, não há nada de realmente surpreendente. A apneia do sono é um fator de risco para a doença cerebral vascular. De uma perspectiva fisiopatológica, é importante porque confirma em outro modelo de hipoxia cerebral, que é a apneia do sono, que o estresse oxidativo e hipoxia podem ser riscos de piora da patologia de Alzheimer. Por isso um de nossos deveres como médicos é perguntar a todos nossos pacientes consistentemente sobre seus hábitos de sono. AOS é extremamente comum nos idosos e a maioria deles não sabe que tem a doença.

O que nós apenas começamos a entender nos últimos anos são dois desenvolvimentos importantes. Primeiro, que o sono inadequado é um fator de risco para a transição futura da cognição normal para o Déficit Cognitivo Deve (MCI), e do MCI para a doença de Alzheimer e, segundo, que o sistema glinfático - essencialmente o fluxo intersticial ao redor dos neurônios e da glia no cérebro , durante o sono - serve para lavar subprodutos metabólicos, incluindo alguns relacionados ao amiloide.

A descoberta fascinante, neste estudo, é que este transtorno do sono altamente comum e subdiagnosticado - AOS - poderia ser uma causa impactante de acumulação amiloide no cérebro. O estudo não foi projetado para avaliar a causa e o efeito de forma definitiva, mas a correlação entre a severidade da AOS e as mudanças longitudinais em ambos os níveis de Aβ42 no LCR e a carga de amiloide cerebral sugere que AOS poderia estar causando essas mudanças. Se assim for, isso fornece uma visão mecanicista das observações de outros estudos que o sono insuficiente ou de má qualidade pode preceder Déficit Cognitivo Leve ou Doença de Alzheimer. Ainda mais importante, os resultados alimentam a especulação de que a identificação e o tratamento (como pressão positiva contínua nas vias aéreas [CPAP] ou aparelhos dentários)  para a AOS poderiam reduzir o risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer.

O estudo foi apoiado pelos Institutos Nacionais de Saúde, Fundação para Pesquisa em Distúrbios do Sono, American Sleep Medicine Foundation e Friedman Brain Institute.

 


“As formigas preferem dormir ao invés de comer”

Fonte: iSleep
Outubro 2017

Michael Rosbash, Jeffrey Connor Hall e Michael Warren Young, cientistas norte-americanos, conquistaram o Premio Nobel da Medicina pelas descobertas sobre os mecanismos moleculares que controlam o ritmo circadiano. O ciclo circadiano ou o chamado relógio biológico faz com que todos os seres humanos e mais amplamente os organismos vivos estabeleçam uma sincronização e se adaptem a fatores do ambiente externo, tendo a luz do sol como fator principal. As investigações premiadas dos laureados, com mais de duas décadas,  mostram como funcionam os genes que estão ligados ao sono e à forma como regulamos o nosso metabolismo nas diferentes fases do dia. Os premiados recorreram ao modelo da mosca-da-fruta para perceberem que os organismos vivos, incluindo os seres humanos, desencadeiam uma série de ligações que nos preparam para acordar, mesmo antes do nascer do sol e nos preparam para dormir à noite.

A questão dos ritmos circadianos nos seres humanos e nos organismos vivos tem sido muito abordada no iSleep. Teresa Paiva já referiu várias vezes nas páginas da plataforma digital que  “a luz do sol é o nosso sincronizador essencial”, que “há uma produção e regulação dos hormônios ao longo do dia e da noite” e que “todos os erros cometidos ao nível da disrupção do ritmo circadiano têm  consequências terríveis”, causador de várias doenças. Também Irene Tobler, a maior especialista mundial no sono dos animais disse há dois anos numa entrevista ao iSleep: ” quando era jovem, o tema da minha tese de mestrado envolveu o estudo das formigas. Instalei-me com um saco cama na dispensa e programei o despertador para acordar de duas em duas horas para observar o comportamento das formigas: raramente alguma saía do ninho. Concluí então que dormiriam, mal sabendo ainda que toda a minha carreira profissional iria ser dedicada à investigação do sono”.

Na era digital, da aviação comercial e de noites que viram dias, chegou a hora de reconhecer a importância do relógio biológico. Esse sistema inato ao corpo humano — e a todos os seres vivos —, que se regula conforme a percepção da presença ou ausência da luz solar, é responsável por determinar a disposição diária para todas as atividades, do trabalho às relações sociais, da alimentação ao sono. É o que faz alguém cair de rendimento à noite, bocejar por horas se acorda muito cedo e ficar geralmente mais atento ao longo do dia: um eterno ciclo de 24 horas que, se não respeitado em seu devido tempo, pode comprometer a saúde. O Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia deste ano, entregue a três pesquisadores norte-americanos, soou o alarme para que mais pessoas tenham consciência da importância desse mecanismo no decorrer da vida. A existência de algum tipo de sistema interno que leva à repetição de certos fenômenos biológicos em determinadas horas do dia já era conhecida de longa data. Pelo menos desde 1729, quando o astrônomo francês Jean Jacques d'Ortous de Mairan observou que as folhas de um gênero de plantas se abriam e fechavam na mesma hora do dia, mesmo quando colocadas em um quarto escuro — o que sugeriu a existência de um relógio biológico.  Os nobéis Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young foram os responsáveis por descobrir, séculos depois, os mecanismos moleculares que controlam o ritmo biológico nos seres vivos, o chamado ritmo circadiano. Se pensarmos que o organismo funciona como um relógio cuco, podemos dizer que eles encontraram o mecanismo que move os ponteiros e anuncia o passar de cada hora com o canto da ave. A pesquisa que revelou esse funcionamento foi publicada na década de 1980, mas só agora reconhecida com uma das maiores premiações da ciência mundial. Será que a distinção não chegou com algum atraso?

Ritmos circadianos têm sido estudados principalmente desde a década de 1970, então formam um campo ainda novo. Muitos de fora dessa área não sabem quão importante isso é para todos, para toda a biologia e a medicina. Fiquei positivamente surpreso ao ver esse Nobel: não esperava que fosse chegar tão cedo. Essa distinção vai acelerar o conhecimento dos ritmos circadianos para as discussões públicas e científicas, o que vai ser bom para todo mundo — comemora o neurobiólogo Benjamin Smarr, pesquisador pós-doutorando no Departamento de Psicologia e Neurociência da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos.

Luz artificial e prejuízos para a saúde

O neurobiólogo Benjamin Smarr destaca que saber mais sobre o relógio biológico é especialmente importante na contemporaneidade, quando a invenção da luz elétrica e a profusão de itens que emanam uma iluminação própria contribuem para dificultar a percepção do corpo sobre o ciclo claro-escuro. Já não é mais o raiar do dia que nos alerta para a necessidade de acordar, nem o escurecer noturno que nos leva a sempre buscar o descanso. Agora há alarmes, ambientes iluminados, atividades sendo realizadas durante as 24 horas. Nossas vidas modernas são muito disruptivas para os ritmos circadianos. Luz à noite, smartphones, alimentação noturna e alarmes provocam um "jet lag social" e nos causam males ao longo da vida — avalia o Ph.D. em neurobiologia. Portanto, não é de se estranhar relatos de dificuldades para pegar no sono quando, minutos antes de ir para a cama, ficamos acostumados a estar em ambiente iluminado por lâmpadas, com televisores ligados, computadores e smartphones emitindo luz artificial bem diante dos olhos — tudo isso enquanto o corpo, preparando-se para o repouso, espera a escuridão. A exposição à luz artificial à noite é prejudicial porque inibe a produção de melatonina. Esse hormônio sinaliza ao corpo que é noite e favorece o sono. Dessa forma, olhar essas telas à noite pode acarretar, a longo prazo, diversos distúrbios de sono e suas consequências para a saúde — afirma Gisele Akemi Oda, coordenadora do Laboratório de Cronobiologia da Universidade de São Paulo (USP). O descompasso entre o ciclo de iluminação que o corpo espera e aquele a que realmente acaba sendo exposto preocupa principalmente porque provoca alterações que podem impactar no desenvolvimento de problemas físicos e mentais. Ter poucas horas de sono, comer em horários desregulados, praticar atividades físicas logo antes de (tentar) dormir e levar os estudos madrugada adentro são alguns exemplos de questões que resultam em um desajuste no relógio biológico. Desajuste esse que representa um baque significativo para o sempre tão certinho ritmo do corpo. 

A eficiência de todas as atividades fica comprometida, com consequências para a própria saúde, quando uma pessoa se alimenta em uma fase em que o sistema digestivo não está programado para ter maior eficiência, quando é exigida atenção em uma fase associada ao sono, quando ela se exercita em uma fase associada ao repouso — garante Gisele Oda. Segundo a coordenadora do Laboratório de Cronobiologia da USP, complicações cardiovasculares, obesidade, incidência maior de acidentes e depressão estão sendo cada vez mais associadas ao trabalho noturno — fora do padrão predominantemente diurno do organismo humano para aquelas ações que exigem mais esforço.  Há décadas estudando a área conhecida como cronobiologia humana, Fernando Mazzilli Louzada explica que o descompasso ocorre porque o corpo, ao longo de toda a evolução, foi se preparando para caçar e comer enquanto há luz do sol, e para descansar quando a escuridão predominava. A constante disrupção desse padrão na atualidade provoca alterações no metabolismo — o que pode levar ao surgimento de doenças como diabetes, alterações na pressão arterial e também problemas psiquiátricos. Para o corpo, ficar exposto rotineiramente à desorganização do próprio ritmo leva a problemas de saúde que poderiam ser evitados com mais conhecimento e cuidado — diz Louzada, professor do Departamento de Fisiologia e coordenador do Laboratório de Cronobiologia Humana da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Isso não quer dizer que se alimentar de madrugada, correr em plena noite ou dormir a tarde inteira vão necessariamente causar problemas de saúde: as pesquisas alertam para o fato de que, se não tomados alguns cuidados — como respeitar os próprios limites, repousar quando o corpo pede e manter uma alimentação equilibrada, especialmente para quem segue rotinas desreguladas —, os efeitos podem passar do mero desconforto e, quando aliados a outros fatores, contribuir para o desenvolvimento ou dificultar o controle de doenças graves.

Dificuldade de ajustar os ponteiros

Quem trabalha durante a noite precisaria evitar completamente a luz do sol durante o dia, até mesmo nas folgas, para que o corpo se adaptasse a esse horário. Isso, claro, é para poucos — problematiza Michael Gorman, especialista em ritmos circadianos de mamíferos que estuda como melhorar a adaptação humana ao trabalho noturno e ao jet lag. Para o pesquisador do Centro de Biologia Circadiana da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, quanto mais se afasta do que o corpo espera, mais difícil é acostumá-lo a enfrentar algumas situações. Dormir até algumas horas depois de o Sol raiar e se exercitar ao cair da tarde não vão provocar alterações tão significativas quanto trabalhar dia após dia de madrugada. Gorman garante que o diferencial está na exposição à luz solar: se alguém que precisa acordar mais cedo se coloca rotineiramente diante do Sol matinal, pode acabar acostumando o corpo à mudança, ainda que anteriormente a preferência fosse por dormir até mais tarde. O problema é que muitas rotinas se perdem nos fins de semana. O merecido descanso que dá direito a acordar quase na hora do almoço aos sábados e domingos representa um choque para o organismo, que não entende por que, ao longo de cinco dias da semana, deve funcionar de uma maneira e, nos outros dois, tem que mudar tudo de novo. Eis aí a maior dificuldade de ajustar os ponteiros do próprio relógio biológico: se a rotina laboral é uma e a de dias de folga é outra, a adaptação fica prejudicada.

Matutinos x vespertinos

O coordenador do Laboratório de Cronobiologia Humana da UFPR, Fernando Louzada, acredita que não existe adaptação do ritmo circadiano. Para ele, ou funcionamos melhor de manhã cedo ou preferimos a tarde — o que dividiria a sociedade entre os cronotipos matutino e vespertino. Ainda que haja diferença entre os horários mais adequados para determinadas atividades de pessoa para pessoa, o organismo humano não estaria preparado para uma mudança tão drástica no seu padrão evolutivo quanto passar com frequência a noite inteira acordado.  A palavra "adaptação" não tem como ser usada: existe maior ou menor tolerância com esses horários. O corpo não foi feito para trabalhar (com carga máxima) à noite. Não há adaptação quando temos uma constante desorganização dos ritmos — estima o pesquisador. Para quem não tem opção e precisa realizar atividades desgastantes nos horários em que o corpo preferiria estar dormindo, algumas dicas para aumentar a tolerância do organismo incluem manter uma alimentação mais leve — já que o organismo tem menor capacidade de digestão à noite —, evitar a exposição direta à luz solar na hora em que é possível descansar e dormir bem, de preferência em um ciclo único, e não com cochilos esparsos.

O que é afetado pelo ritmo circadiano

· . Aprendizagem e memória: as horas mais adequadas variam de pessoas para pessoa, mas sabe-se que é mais eficaz aprender durante a manhã ou a tarde. A atividade cerebral varia conforme o relógio muda, e não há período de menor capacidade de concentração que durante a madrugada.

·  Envelhecimento: conforme os anos passam, o corpo tem mais dificuldade de manter as engrenagens de todos os relógios biológicos das células. Envelhecer envolve também maior predisposição a problemas de metabolismo, que acaba ficando mais lento.

·  Jet lag: trocar de fuso horário muito rapidamente — algo comum em viagens longas pela aviação comercial — leva a um desalinhamento do relógio interno. Quando a hora do dia muda de maneira forçada, é comum se sentir mais sonolento. Uma variação desse fenômeno acontece quando se volta a acordar cedo depois de um fim de semana dormindo até tarde.

·  Nutrição: não apenas o sono é controlado pelo relógio interno: também a fome surge nos horários em que o organismo mais está acostumado e disposto a fazer a digestão. E, quanto mais tarde, menor costuma ser a capacidade de absorver os nutrientes adequadamente.


O sono ajuda na relação conjugal?

29/09/2016

Um estudo da Universidade da Florida, envolvendo 68 casais recém-casados, publicado recentemente no Journal of Family Psychology, editado pela Associação Americana de Psicologia, sugere que os cônjuges têm níveis mais elevados de satisfação no casamento se tiverem um sono de qualidade.

Todos os dias, durante uma semana, os participantes responderam a um inquérito sobre o seu relacionamento, envolvendo experiências do dia-a-dia, como a divisão de tarefas e a resolução de problemas. Os resultados mostraram que os casais estavam mais satisfeitos nos dias em que dormiam melhor.

Segundo dados do inquérito, esta melhoria do sono dos participantes traduzia-se num sono de maior qualidade, reparador, e não tanto num sono mais prolongado.

O estudo também constatou que se dormirem melhor, os maridos mostram-se menos sensíveis a problemas de relacionamento com as mulheres, sugerindo que uma boa noite de sono, sobretudo para eles, reduz os sentimentos negativos associados ao casamento.

Um estudo da Universidade de Pittsburgh obteve conclusões semelhantes para as mulheres, sugerindo que quando estas dormiam melhor relatavam menos discussões com os maridos.


Horário de sono

07/07/2016

 

Pediatric Sleep Recommendations

For the first time, the American Academy of Sleep Medicine (AASM) has released official consensus recommendations for the amount of sleep needed to promote optimal health in children and teenagers to avoid the health risks of insufficient sleep.

The recommendations in the consensus statement are as follows:

  • Infants four to 12 months should sleep 12 to 16 hours per 24 hours (including naps) on a regular basis to promote optimal health.

  • Children one to two years of age should sleep 11 to 14 hours per 24 hours (including naps) on a regular basis to promote optimal health.

  • Children three to five years of age should sleep 10 to 13 hours per 24 hours (including naps) on a regular basis to promote optimal health.

  • Children six to 12 years of age should sleep nine to 12 hours per 24 hours on a regular basis to promote optimal health.

  • Teenagers 13 to 18 years of age should sleep eight to 10 hours per 24 hours on a regular basis to promote optimal health.

The recommendations followed a 10-month project conducted by a Pediatric Consensus Panel of 13 of the nation’s foremost sleep experts, and are endorsed by the American Academy of Pediatrics, the Sleep Research Society and the American Association of Sleep Technologists. The expert panel reviewed 864 published scientific articles addressing the relationship between sleep duration and health in children, evaluated the evidence using a formal grading system, and arrived at the final recommendations after multiple rounds of voting.


A Revolução do Sono

26/05/2016

 

ARIANNA HUFFINGTON: “A PRIVAÇÃO DO SONO É O FUMAR DO SÉCULO XXI”

Arianna Huffington, editora chefe do site The Huffington Post, mantém a sua  cruzada por um bom sono, apresentando em vários palcos mediáticos dos EUA o seu livro “A Revolução do Sono”.

Na semana passada esteve no programa de televisão Acess Hollywood, referindo que há hoje em vários círculos a ideia perigosa “de que a privação do sono tem um certo glamour, tal como tinha o fumar nos anos 1950”.   Arianna Huffington diz que é preciso lutar contra este padrão cultural, que está a afetar a saúde de milhões de pessoas por todo o mundo.

“A ciência mostra que o sono é um  grande potencializador de desempenho. Quando nós acordamos de um bom sono, retemperados, a nossa saúde é melhor, produzimos e criamos melhor e estamos mais felizes”, acrescentou.

A jornalista, ex-mulher do milionário e político Michael Huffington, tinha uma vida agitadissíma há dez anos, repleta de afazeres, dormindo apenas três ou quatro horas por noite. Um dia teve um acidente em virtude do cansaço extremo e mudou a sua vida radicalmente. Diminuiu os compromissos, passando a dizer “não” a muitas atividades mundanas, e passou a dormir religiosamente sete ou oito horas por noite.

Arianna lançou recentemente um concurso em que o prémio é dormir no seu apartamento de Manhattan, em Nova Iorque, que transformou num autêntico santuário do sono. O vencedor será aquele que tiver o comentário mais criativo sobre a frase: “o que faria no seu dia se tivesse mais horas de sono à noite”.

A editora do The Huffington Post, norte-americana de ascendência grega, descreve assim o seu quarto:

“Não é um templo grego, mas é o mais aproximado que eu poderia ter.  O meu próprio templo privado para dormir no meio de uma cidade que se diz que nunca dorme. A noite começará com um jantar grego com todos os ingredientes naturais que irão prepará-lo para o sono. Depois irá retirar-se para o quarto, com uma cama de dossel, travesseiros e mesas de cabeceiras com muitas flores e velas. Também há um despertador analógico à moda antiga (não são permitidos dispositivos digitais) e um pequeno caderno para escrever os sonhos que tiver a meio da noite”.

A casa, segundo Arianna Huffington, tem diversas regras:

1 —  manter o quarto escuro, silencioso e fresco.

2 – ter roupas práticas para dormir.

3 –  os dispositivos eletrônicos estão fora do quarto

4 – são proibidos animais de estimação na cama

5 – são proibidos medicamentos para dormir

6 – são proibidos livros de trabalho

* Veja também em iSleep nº 68 26 de Maio de 2016


Quem dorme melhor: quem lê livro em papel ou e-book?

12/01/2016

 

Um estudo realizado em 2014 pelo Brigham and Women’s Hospital, em Boston, nos EUA, envolvendo dezenas de pessoas, concluiu  que a utilização de dispositivos electrónicos antes de deitar prolonga o tempo que leva a adormecer, atrasa o relógio circadiano, suprime os níveis de melatonina, hormona que induz o sono, bem como reduz e atrasa o ciclo do sono REM, diminuindo ainda o estado de alerta dos participantes na manhã seguinte.

A investigação, liderada pela neurocientista Anne-Marie Chang, separou os participantes em dois grupos. Um lia um livro antes de deitar, outro um e-book num Ipad. Ambos os grupos dormiram no Brigham and Women’s Hospital durante duas semanas. Neste tempo, foram analisados os efeitos biológicos em cada um dos participantes dos dois grupos. Os participantes que leram um e-book tinham menos sono à noite, levando mais tempo a adormecer. Os seus níveis de secreção de melatonina também foram menores do que os participantes que leram um livro em papel.

Estes resultados, segundo as conclusões do estudo, demonstram com evidência que a utilização de dispositivos electrónicos à hora de deitar tem forte impacto na “biologia” do sono, prejudicando-o.